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quarta-feira, 2 de março de 2011

Concursos Públicos e Carnaval: qual a relação?


Por Rogério Neiva

Pode haver alguma relação entre a preparação para concursos públicos e o carnaval? Não há dúvida de que se trata de temas aparentemente antagônicos e excludentes. Porém, é possível estabelecer algumas relações.
De forma semelhante à abordada no texto no qual relacionava a Copa do Mundo à preparação para o concurso público, uma primeira tentativa de construção da referida relação envolve a reflexão sobre os carnavais que passei na condição de candidato, estando empenhado e comprometido com os estudos, o que impediu que vivenciasse como gostaria o referido evento, integrante do nosso rico arcabouço cultural. Talvez até pela riqueza de cultura que o carnaval carrega, a cada ano existem elementos que ostentam alguma característica marcante, tais como músicas, artistas e episódios, o que permitem a associação entre as festividades carnavalescas e determinados anos e contextos da nossa vida.
Assim, invocando a referida memória associativa, aqueles que hoje ostentam a condição de aprovados no concurso público pretendido, podem relacionar os anos em que passaram carnavais na biblioteca ou reclusos nos estudos, a partir dos elementos culturais que marcaram tais anos. Me recordo, por exemplo, do ano de 1999, no qual um dos personagens mais marcantes do carnaval teria sido a dançarina Suzana Alves, apelidada de “Tiazinha”, a qual havia participado de desfile de uma escola de samba do Rio de Janeiro e foi prestigiada com uma música que levava seu nome no refrão.
Neste sentido, uma primeira relação entre a preparação para concursos públicos e o carnaval consiste na lembrança associativa que terá, ao ter superado sua trajetória de candidato e estar ocupando o cargo pretendido, de modo a se recordar dos carnavais nos quais esteve estudando.
Por outro lado, inegavelmente, contextos como este, os que mobilizam a sociedade de uma forma ou de outra, acabam por nos afetar individualmente. E não faltam fundamentos na sociologia e na psicologia social para explicar tais fenômenos. Isto é, o fato das pessoas à nossa volta estarem se mobilizando em função do carnaval, ou mesmo o destaque dado pelos meios de comunicação, não nos passam indiferentes.
Para aqueles que gostam de vivenciar o carnaval em locais tradicionais como Salvador, saber que alguém próximo está se deslocando e se organizando para curtir o carnaval no referido local, acaba afetando, de forma positiva ou não. Ligar a TV e assistir o prestigiado Programa Bandfolia, transmitindo o carnaval ao vivo, também acaba por não ser indiferente.
A mesma lógica se aplica diante da invocação de referências sobre outros locais tradicionais, como Rio de Janeiro e Recife.
É nesta hora que bate o sentimento de angústia, tristeza ou frustração, geradores de pensamentos do tipo “quanto sacrifício!” ou “será que vale a pena?”, os quais se traduzem em sensações desagradáveis e/ou desanimadoras.
E como agir diante desta situação? E se nos próximos dias você estiver passando pelo cenário relatado?
Primeiramente, é preciso compreender e tomar consciência de que, conforme as construções da psicologia do comportamento, no referido momento, nos sujeitamos a um estímulo, causador de reações emocionais, nem sempre agradáveis. Isto é, trata-se de uma dinâmica de estímuloresposta (S+/-  R+/-) . E mais, a nossas estruturas psicológicas, em função daprivação de não estarmos naquele local que gostaríamos de estar e outras pessoas estão, tendem a aumentar a vontade que teríamos de estar. Traduzindo, se não estivéssemos privados de passar o carnaval em Salvador, por exemplo, a tendência seria de valorizar a ida a este local com menor intensidade.
Portanto, tome consciência de que pode estar em ação um natural e compreensível mecanismo comportamental-psicológico. Não mais do que isto! E não superdimencione a situação. Evite dramatizar!
Mas além da mencionada compreensão, você pode aproveitar o referido cenário para tomar outra atitude e compreensão da realidade. Ao invés de sofrer e vivenciar o sentimento de frustração por ter que estudar no carnaval, você pode construir pensamentos do tipo: no próximo ou nos próximos eu passo, estando aprovado no concurso público, no local e na forma que bem entendo! Ou seja, faça uma promessa: no próximo ou nos próximos carnavais eu “saio na avenida!”. Isto para aqueles que valorizam sair na avenida.
Enxergue o copo meio cheio, ao invés de meio vazio! Veja nisto uma oportunidade para se motivar!
Dentre as construções de respaldo científico-acadêmico sobre a motivação, há o conceito damotivação por conteúdo e da motivação por processo. A primeira, influenciada pela Teoria das Necessidades de Abrham Maslow, envolve a idéia de identificação de necessidades a serem atendidas como fontes de motivação. Já a segunda envolve a construção de metas.
No presente caso do carnaval, os candidatos a concursos públicos podem aproveitar o contexto para entender que a aprovação no concurso, de modo a viabilizar condições para aproveitar os próximos carnavais, consiste numa necessidade a ser atendida, considerando os atributos visualizados, tal como a diversãoE também podem estabelecer como meta passar o próximo ou próximos carnavais onde pretende estar.
Tenho dito, até em tom de brincadeira aos alunos, que atualmente costumo passar o carnaval em Salvador para cumprir as promessas que fiz enquanto candidato. E digo também que passei três carnavais estudando na biblioteca, me fazendo a referida promessa, quando ligava a TV e assistia o Bandfolia, comandado pelo jornalista Netinho (o qual também faz parte do Portal Eband).
O fato é que, aceite ou não, a aprovação no concurso público consiste na conseqüência lógica e natural da adequada implementação de um plano de estudos corretamente estruturadoTodos os sacrifícios de hoje posteriormente serão recompensados! Isto não é auto ajuda superficial para candidatos a concursos públicos: trata-se de uma certeza, lógica e racional!
A preparação para o concurso público, enquanto processo voltado à apropriação intelectual de informações e conhecimentos passíveis de cobrança no momento da prova, tem começo, meio e fim.
E daí aproveito, mais uma vez, para reiterar a idéia que venho sustentando, de forma insistente e reiterada, envolvendo a lógica do foco no processo (clique aqui para ler o texto Preparação para Concursos Públicos e Foco no Processo).
Portanto, se neste Carnaval  você está na condição que estive em 1999, 2000 e 2001, saindo no Bloco dos Freqüentadores da Biblioteca, tenha a convicção de que, se preparando para o concurso público de maneira adequada, contando com um planejamento da preparação bem estruturado e o executando de forma correta, no próximo ou nos próximos carnavais poderá estar saindo em outro bloco, provavelmente um pouco mais animado!

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